Entrevista com Ricardo Kimati sensei

Foto: Sabrina Pestana

Existem pessoas que temos uma profunda admiração, respeito e gratidão. Ricardo Kimati sensei é para mim alguém que desperta tudo isso. Durante quase 15 anos frequentei assiduamente suas aulas às quintas-feiras. Tenho até hoje a sensação de que meu dia da semana favorito é quinta-feira por causa disso. Foi copiando cada movimento seu que formei minha base. Na realidade, gerações de praticantes da APA foram, e são, lapidados por ele. Com 31 anos de Aikido, atualmente é 6° dan e presidente da Associação Pesquisa de Aikido, continua a ministrar os treinos no mesmo horário há quase 24 anos.

Tem uma técnica explosiva e relaxada. Um Aikido completamente único, ao mesmo tempo em que segue fielmente o que o Ono sensei faz. Fala pouco e consegue dizer muito. Com essa capacidade incrível de fluir entre paradoxos ensina o quão rico é a nossa arte. Porém, muito além de seus Nikyo´s e Irimi Nage´s, aquilo que mais admiro é sua grandeza como ser humano. Conheço-o dentro e fora do tatame e não me canso de admirar sua postura mesmo diante de grandes adversidades. É uma sorte ter alguém assim para nos inspirar.

Muito obrigado, Kimati sensei, não apenas por essa entrevista e por nossa amizade, mas por sempre ser um norte para mim dentro desse lindo caminho que é o Aikido.

Foto; Daniel Lins
Kimati Sensei liderando a Demonstração da APA no Ginásio do Ibirapuera.
Uke: Leonardo Sodré

Quando foi que começou o Aikido? E o que o motivou a iniciar?

Comecei em agosto de 1989, na APA, quando o dojo ainda estava localizado na Rua Carmelitas. Este ano, portanto, completo 31 anos de prática de Aikido. Na época, estava enfrentando alguns problemas na faculdade e procurava uma arte marcial em que pudesse me sentir mais confiante. Minha mãe era orientadora de uma escola onde o Daniel Yuji Sensei e a Karina estudavam e ela sugeriu que fosse conhecer o Aikido, pois o pai deles era professor. Nunca tinha ouvido falar, mas estava determinado em treinar uma arte marcial e fui conhecer o dojo.

Você lembra das suas primeiras impressões e sentimentos sobre o Aikido?

A primeira vez que fui ao dojo, a aula que assisti estava sendo ministrada pelo Vagner Okino Sensei e achei tudo muito interessante, desde a etiqueta ao reverenciar o altar, o aquecimento, as quedas e os katas. No meio do treino, o Ono Sensei apareceu, entrou no tatame de camisa e calça social e aplicou um kata em um aluno pedindo que o agarrasse no ombro e explicou que se estivesse usando força, a manga da camisa teria sido rasgada. Mais que interessante, achei aquele momento mágico e senti que o Aikido tinha alguma coisa inexplicável e desafiadora. E, na verdade, ainda acho.

Como era a sua relação com o Ono sensei e como sente sua relação agora? Além disso, você é uma das pessoas que mais recebeu ukemi do Ono sensei, como sente que isso influenciou no seu Aikido? 

É até engraçado pensar nisso hoje. Nos primeiros seis meses de prática, eu só tinha disponibilidade de treinar às segundas-feiras e sextas-feiras, que eram os treinos ministrados pelo Vagner Sensei e Arai Sensei. Ono Sensei aparecia esporadicamente no meio dessas aulas e fazia algumas explicações. Só fui fazer um treino com Ono Sensei quando já era faixa-amarela. Tive uma identificação muito grande desde o começo com o Ono Sensei. Ele me dizia que eu possuía um biotipo parecido com o dele: magro e meio corcunda … mas acho que a identificação maior começou quando ele passou a pesquisar sobre o kokyu (respiração) mais profundamente. Lembro bem desse momento: ele esticou o braço, fechou a mão e pediu que eu segurasse o seu punho. Sem nenhum movimento externo por parte dele, comecei a girar de um lado para o outro. Eu era faixa azul na época. Sempre fui uma pessoa muito cética e somente acreditei quando fui derrubado sem saber o porquê. Minha relação com Ono Sensei sempre foi de admiração de discípulo pelo mestre e, hoje, esse sentimento é ainda mais forte, principalmente por ele nunca se acomodar. Com 94 anos e com enormes dificuldades de locomoção, continua pesquisando e vibrando como um iniciante quando descobre algo novo. Minha pesquisa e minha busca dentro do Aikido foram e são totalmente influenciadas pelo Aikido do Ono Sensei.

Foto: Sabrina Pestana
Kimati sensei e Ono sensei

Além do Ono sensei, quem eram os instrutores que davam aula na Apa na época? Você lembra como eram as aulas deles?

Na época, além do Ono Sensei, as aulas na APA eram ministradas pelo Arai Sensei, Júlio Hoshiko Sensei e Vagner Okino Sensei. As aulas do Arai Sensei eram com ênfase no kihon-waza, com infinita paciência para explicar o passo-a-passo de cada kata. As aulas do Vagner Sensei eram bem puxadas (pelo menos prá mim), desde o aquecimento, e sempre com muitos katas em suwari-waza. Havia bastante ênfase também em armas (jo e bokken). As aulas do Júlio eram bem dinâmicas e sempre com katas bastante técnicos. Já as aulas do Ono Sensei eram uma completa incógnita. Não fazia dois katas iguais. Muitas vezes, mostrava um kata e, quando não entendíamos (o que era uma constante) e pedíamos para repetir, o kata já possuía outra forma! Sempre foi uma aula desafiadora. Mas, todos, sem exceção, enfatizavam na necessidade de que o Aikido fosse praticado com o corpo relaxado, sem força física.

Você sempre frequentou seminários, quais mestres de Aikido, além do Ono sensei, são uma referência na sua prática?

Acho que em todo seminário que participamos, acabamos sendo influenciados de alguma maneira, nem que seja por um pequeno detalhe. O primeiro seminário que participei foi com o Seki Shihan. Na época, tinha acabado de ser promovido a shodan e tive a oportunidade de ser seu uke em um kata. Foi uma experiência marcante, pois ao tentar segurar o seu pulso (enorme), minhas mãos escaparam e a projeção foi prejudicada. Ele sorriu, limpou o suor dos pulsos no dogi e me projetou a uma distância impressionante! A precisão e explosão dos seus katas e sua didática são referências para minha prática, que foram confirmadas com suas vindas mais recentes ao Brasil pela União Sul Americana. Outro mestre do Hombu Dojo que me inspirou bastante foi o Fujita Shihan, que veio ao Brasil em 11 ou 12 oportunidades, salvo engano. Um Aikido com movimentos suaves e circulares, mas com muita potência. Destaco ainda Kobayashi Shihan, Hironobu Yamada Shihan, Sugawara Shihan e Masuda Shihan. Mais recentemente, tive a oportunidade de participar dos seminários do Shikanai Shihan (um sensei incrível, com uma pesquisa muito interessante com o jo), Didier Boyet Shihan (não o conhecia e me surpreendeu muito favoravelmente) e, claro, Yoko Okamoto Shihan! Já a admirava através dos vídeos no Youtube e vê-la ministrando um treino na APA foi surreal! Movimentos limpos, claros e muito eficientes. Sem dúvida, uma grande referência para a minha prática.

Como e quando foi que começou a dar aulas de Aikido?

Creio que comecei a dar aulas na APA em 1996 ou 1997. Tinha acabado de ser promovido a Nidan e o Ivan Okuyama Sensei, que ministrava as aulas às quintas-feiras, foi para o Japão e me indicou para que o substituísse temporariamente, com a aprovação do Ono Sensei, claro. A previsão era que ficasse 2 anos por lá, mas acabou prorrogando por mais 3 anos, e, assim, mesmo quando o Ivan Sensei retornou ao Brasil, continuei dando as aulas de quinta-feira na APA e não parei mais.

O Aikido tem um vasto repertório de técnicas. Como professor, o que é essencial transmitir para os alunos? 

Originalmente, as aulas de quinta-feira na APA eram destinadas aos iniciantes e, portanto, sempre procurei transmitir a importância da base e dos kihon-waza. Com o tempo, a idéia de se ter uma base forte para que fosse possível explorar outras técnicas mais elaboradas virou uma certeza para mim. Continuo com essa ênfase até hoje. Quando tenho alguma dúvida em algum kata, volto sempre para a base.

foto: Sabrina Pestana

A relação professor aluno é algo muito forte no Budo. O que é para você ser um instrutor de Aikido? E que características um bom instrutor de Aikido deve ter?

Ser instrutor é apavorante e desafiador! Sinto que é uma grande responsabilidade ser um modelo, uma referência, onde os alunos irão, muitas vezes, imitar ou procurar imitar seus movimentos, sua forma de executar os katas. Acho que todo instrutor tem que estar sempre flexível a novas idéias ou pesquisas, estar preparado para receber críticas com naturalidade e procurar ter empatia, na medida do possível, com cada aluno, que são pessoas com objetivos absolutamente distintos na prática do Aikido. Ainda, entendo ser imprescindível a prática constante e não se acomodar. Como converso com alguns colegas, ter aulas com Ono Sensei ainda hoje é um privilégio e um norte para o meu desenvolvimento.

Pesquisa não apenas está no nome do Dojo que sempre treinou, mas é o um dos conceitos centrais do Aikido do Ono sensei. O que é Pesquisa para você e qual é a sua pesquisa no Aikido?

Para mim, pesquisa significa estar sempre em busca da melhoria da prática do Aikido, se aperfeiçoar e nunca se acomodar. Lembro quando o Ono Sensei tinha 75 anos e durante um treino ele falou: “Esse é o meu Aikido hoje. Daqui a 10 anos, eu não sei”. Já achava o Aikido do Ono Sensei impressionante, mas essa sua busca em estar sempre se aprimorando me marcou muito. Particularmente, minha pesquisa no Aikido foi se alterando e modificando com o tempo e com a idade. Desde a melhor forma de cair e executar um kata até, mais recentemente, buscar um maior relaxamento interno do corpo através dos exercícios de kokyu desenvolvidos pelo Ono Sensei. Essa é a minha pesquisa atual: aprimorar e buscar a harmonia com os parceiros de treino não só com o corpo, mas também com a suas intenções. Tentar “sentir” a intenção do seu parceiro antes mesmo do início da movimentação do corpo. Não sei se deu para entender … acho que ficou meio confuso (risos).

Hoje você é presidente de uma das mais importantes organizações de Aikido do Brasil, uma das poucas reconhecidas oficialmente pela Aikikai. Qual o papel que vê das organizações no Aikido?

Penso que as organizações de Aikido no Brasil tem um papel muito importante para a prática e para os praticantes da arte, desde lidar com a parte burocrática de estar em contato constante com o Hombu Dojo, cumprindo suas normas, regras e recomendações, como para a divulgação da arte para o maior número de pessoas possível de maneira estruturada. Atualmente, é possível, mas raro, que qualquer contato se dê apenas na figura da pessoa física. É sempre de instituição para instituição. Por exemplo, lembro que a primeira vez que entramos em contato com a Yoko Okamoto Shihan para tentar promover um seminário, a primeira pergunta foi: “quem são vocês? São reconhecidos pela Aikikai? Tem experiência em promover eventos”? Estamos em um mundo globalizado. Percebemos que precisamos estar sempre bem preparados e estruturados com regras claras para todos os associados para continuar trabalhando em prol do Aikido. A APA possui associados em diversos estados do Brasil e também um grupo no Peru, e as diretrizes tem que alcançar a todos, respeitando sempre as especificidades de cada um e de sua localidade.

Qual pensa que seja sua principal função como presidente? E qual acha que será o seu legado?

Entendo que a principal função como presidente da APA é estar sempre aberto e à disposição para ouvir e debater, consultar especialistas quando necessário, e, por fim, decidir e agir. Felizmente, a diretoria e colaboradores são compostos de pessoas muito qualificadas, com habilidades e especialidades distintas, e que estão sempre muito empenhadas em ajudar o desenvolvimento da arte. Essa gestão foi marcada por diversos desafios, mas gostaria de destacar como pontos positivos um maior intercâmbio com outras organizações de Aikido, o reconhecimento do Hombu Dojo e a promoção do primeiro evento internacional com a Yoko Okamoto Shihan.

Pesquisas mostram que o interesse no Aikido vem diminuindo. Como acha que podemos divulgar o Aikido? E como as organizações podem agir para aumentar o número de praticantes?

Essa é uma questão que considero bastante complexa. Por ser uma arte marcial que não comporta competições, ela pode abranger várias vertentes, desde quem procura uma atividade física e bem-estar, até para quem busca um aprimoramento de defesa pessoal. Por outro lado, entendo que essa característica de não haver competições acaba por dificultar a massificação e divulgação da arte, por não ter uma “marca” a ser vendida, o que dificulta inclusive em atrair patrocinadores. Hoje, a oportunidade mais viável de divulgação, no meu entender, são as redes sociais (Facebook, Instagram, Youtube) onde, com um trabalho sério e de qualidade, é possível atingir um grande número de pessoas e, por conseguinte, possíveis praticantes. Destaco, nesse campo, os trabalhos do Aikido Brasil e o seu. Um dos seus vídeos, por exemplo, +Qsushi – Minha primeira aula de Aikido atingiu a marca impressionante de 500 mil visualizações. Se 1% dessas visualizações despertasse interesse no Aikido, poderíamos, em tese, ter aproximadamente 5.000 novos praticantes, que considero um número muito expressivo no universo das artes marciais.

O mundo está em quarentena e o distanciamento social é algo cada vez mais enfatizado. Como acha que isso pode afetar a prática do Aikido no futuro? E como imagina que será inicialmente a volta aos treinos?

Em minha opinião, essa quarentena vai afetar e já está alterando as relações entre as pessoas. O distanciamento social mostrou que algumas atividades, com adequações, podem ser executadas à distância mesmo e outras não. Entendo que o Aikido seja uma atividade que se enquadra no segundo cenário. Ainda que a prática do Aikido tenha movimentos com armas (jo e bokken), o contato é inevitável e necessário. Confesso, contudo, que não sei como será a prática do Aikido no futuro. Quem já é praticante, mesmo com a possibilidade de treinamento “hitori geiko”, creio que está sentindo muita falta e não vê a hora de voltar a pisar no tatame e treinar com os parceiros. Quem não é, mesmo com a situação normalizada, acho que vai demorar um período relativamente longo para procurar um dojo e iniciar a prática do Aikido, mas não sei. Em um cenário otimista, gosto de pensar que as pessoas estão há tanto tempo isoladas que, quando puderem, irão procurar a prática de uma atividade benéfica para o corpo e que haja uma interação saudável com as outras como o Aikido. Quanto ao retorno aos treinos, entendo que deverá ser gradual e com grandes cautelas. Recentemente, o Daniel Yuji Sensei encaminhou um manual do Instituto Kodokan do Brasil, com orientações pós Covid-19 para os praticantes de Judo, que achei muito interessante e que imagino que possamos adotar para o Aikido também. Em termos de higiene, uma limpeza acurada e desinfecção do dojo com frequência, e manter o ambiente sempre ventilado. Em termos pessoais, o uso de máscaras e a troca do dogi a cada treino. Uma sugestão que achei bacana para quem puder, é claro, é vir ao dojo já de dogi para evitar aglomerações no vestiário. Quanto ao treinamento em si, a idéia seria estipular um número máximo de alunos por aula, com uma intensidade de treino mais leve no início e aumentando no decorrer das semanas. O uso das máscaras também deixaria de ser obrigatório no decorrer delas, contudo, o instrutor deverá ser o último a deixar de utilizá-las pelo constante contato com cada aluno.

Além de praticante, professor e presidente de uma organização de Aikido, você é engenheiro e tem toda uma vida fora do tatame. O que o Aikido trouxe para você? Além disso, vê o Aikido como um meio para lidar com as adversidades do dia a dia?

Depois de tanto tempo treinando, é difícil dissociar ou destacar algo em que o Aikido não esteja inserido na vida ou no dia-a-dia. Em termos físicos, de forma visível, um corpo mais flexível e saudável, mas no dia-a-dia, considero que o Aikido ajuda muito nas atividades pessoais e profissionais. Assim como no Aikido, onde treinamos com pessoas muito diferentes de você, no terreno pessoal e profissional lidamos também com pensamentos e ações, muitas vezes, muito distintos do seu, e em todas essas situações, seja no treino ou fora dele, temos que aprender ou tentar harmonizar com elas da melhor maneira possível. Como disse anteriormente, minha pesquisa atual é tentar harmonizar com o parceiro, ou similarmente com o colega de trabalho, com a sua intenção, antes mesmo do seu movimento, da sua ação. Mas não existe uma fórmula pronta. É uma prática diária!

Por fim, o que é Aikido para você?

Acho que essa pergunta é a mais complexa de todas. Voltando para a base, é uma arte marcial japonesa, com torções e projeções, onde não há competições. Por ser uma arte marcial, entendo que deva ser sempre tratada com muita seriedade e respeito, onde o aprimoramento da parte técnica e a busca pela maior eficiência dos katas, para que não haja falhas, tem que ser constante e sem fim. Ono Sensei sempre enfatizou muito esse aspecto. Jamais vou esquecer de suas broncas, principalmente para os instrutores: “Os alunos estão fazendo errado porque vocês estão fazendo errado”!

Por outro lado, existe uma outra parte que aflora com o tempo e em conjunto com o aprimoramento dos katas, que ainda é inexplicável para mim. Sei que impacta e te modifica internamente, mas não saberia pontuar claramente em palavras. Parece que a sensibilidade aumenta e que a sua intuição fica mais aguçada. Essas sensações, sem ter consciência, você as carrega no seu dia-a-dia e acaba refletindo em suas ações e decisões.

Essa combinação da parte técnica com a parte interna que o Aikido proporciona ainda me fascina e me desafia até hoje. Acho que é para sempre.

Gostaria de deixar alguma consideração final?

O Aikido é uma arte marcial maravilhosa e mudou (e está mudando) a minha vida. Gostaria de repetir a minha visão otimista nessa quarentena de pensar que as pessoas estão há tanto tempo isoladas que, quando puderem, irão procurar a prática de uma atividade benéfica para o corpo e que tenha uma interação saudável com as outras como o Aikido. Treinem!

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